O projeto Instituição de Ensino/ Sociedade/ Portadores de Deficiência alia todo conhecimento pedagógico e científico coordenado pela professora Chrystianne S. Frug e Mauro S. Frug envolvendo os monitores de 1º à 4º ano da FEFISA – Faculdade de Educação Física de Santo André e também alunos já formados que tenham interesse em estar participando do projeto.
O projeto atende até 60 crianças portadoras de todas as deficiências; (Deficiência Mental – DM; Síndrome de Down – SD; Autismo – AU); Paralisia Cerebral – PC; Deficiência Visual - DV; Deficiência Auditiva – DA; Múltiplas Deficiências – MD; Síndromes Raras), durante o ano letivo, dividindo-se por modalidades esportivas alternando bimestralmente através da Educação Física Escolar, Recreação e Lazer e Treinamento Desportivo em atletismo dividido em:
· Arremesso de pelota;
· Corrida;
· Salto em distância;
· Salto em altura.
A interação com as crianças com algum tipo de deficiência é que pode se despreender o verdadeiro significado da palavra amor; pois os profissionais que atuam são amados na mesma proporção que os amam, a interação se dá até mesmo pelo olhar, os resultados obtidos no projeto torna-se possível quando se trabalha com amor, dedicação extrema, pois são as provas inquestionáveis do que é possível quando concentramos todos os esforços em busca de um ideal, que segundo Prof. Dr. David Rodrigues – 2001 diz:
Quando se afirma que o século XX foi o “século do corpo” – e que certamente o século XXI continuará a sê-lo -, devemo-nos perguntar: de que corpo? Há sem dúvida um enorme acervo de novas perspectivas e de contribuições teóricas produzidas sobre o corpo. Podemos pensar, a título de exemplo, nas contribuições que nos trouxeram os estudos sobre a imagem e o esquema corporal, o papel central do corpo no desenvolvimento infantil encarado, sobretudo por H. Wallon e por J. Piaget, e a perspectiva filosófica fenomenológica que investiu o corpo de uma dignidade central no contexto do humano.
Podemo-nos perguntar onde está, em todo este contexto, o corpo da pessoa com uma condição de deficiência. De fato, todo este interesse sobre o corpo, tendo-o elevado para uma visibilidade e dignidade antes inexistente, acabou por se centrar no interesse e na celebração do corpo são e belo. Falta-nos ainda muita reflexão sobre os corpos diferentes também designados por “corpos extraordinários”.
Freqüentemente se entende o corpo da pessoa com condições de deficiência para além dele, ou mesmo fora dele. Como se o corpo fosse um empecilho ou apenas um aspecto na totalidade da pessoa, ao qual não é preciso dar muita importância. O progresso seria conseguido pela negação do corpo.
É necessário, no entanto, reafirmar que a importância que se tem dado ao corpo nas suas múltiplas dimensões, ao longo do século XX, mantém-se a mesma quando nos debruçamos sobre o significado da corporeidade no desenvolvimento e na vida de relação das pessoas com condições de deficiência.
Também aqui o corpo tem um significado próprio e único. Porque é pelo corpo – seja ele canonicamente considerado mais ou menos belo ou saudável – que é carreada a nossa experiência no mundo, bem como expressa a nossa presença nele.
Na educação de crianças e jovens com condições de deficiência há freqüentemente o impulso – um tanto manifesto – de “ignorar” o corpo, “ultrapassá-lo” e superá-lo. Como se a educação tivesse por objetivo desenvolver um ser “acorporal” ou que ele fosse desvalorizado como mero sinal visível da incapacidade.
Na verdade, a célebre frase de Chipraz “O meu corpo sou eu no mundo” mantém a sua pertinência quando se trata de pessoas com condições de deficiência. O corpo é sempre a sede da experiência e o testemunho permanente, sensível e abrangente da nossa vivência como pessoas. O corpo é, também para as pessoas com condições de deficiência, uma bússola no caminho para o bem-estar e superação.
Não é, pois sustentável que, pelo fato de existir uma condição de deficiência, a educação motora assuma um papel subalterno. Ela deve certamente assumir cambiantes metodológicas distintas, mas não pode ser suprimida nem sequer menosprezada. Crianças que nos dizem:
Eu
sei que o meu corpo fala mesmo quando eu estou calado
Só
precisava mesmo era de quem o escutasse...
De
quem me escutasse...
Com
a delicadeza de um convidado,
Mas
com a surpresa de um descobridor.
Bibliografia
EDUCAÇÃO MOTORA EM PORTADORES DE DEFICIÊNCIA, Chrystianne Simões Frug,
Editora Plexus, 2001.